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Feed de ofertas · em dupla com Renato Garcialeitura de 11 min

Directo · TicTac

Treze modelos de card para o feed do TicTac, decididos por dado

39
combinações desenhadas, e nenhuma medida nova no sistema.
11 de 13
modelos rodam com a foto que o lojista já tem, sem produção paga.
40
componentes com 113 variantes na entrega para engenharia.
1 semana
do briefing à entrega da primeira rodada.

Em dupla com o designer Renato Garcia. Cliente: Directo. Produto: TicTac. Período: agosto e setembro de 2026.

Vitrine
Cupom, sem foto
Sacola surpresa
Card completo
Quatro dos treze modelos de card. Todos saem da mesma estrutura: cabeçalho, imagem, prova social, forma de pagamento, prazo de validade e botão. Nenhum deles pediu uma medida nova ao produto.

00 Arquivo

Cliente Directo
Produto TicTac · feed de ofertas de loja física
Papel product design em dupla com Renato Garcia. Pesquisa, modelos, comparação e decisão feitos a dois, do início ao fim
Com Renato Garcia · designer parceiro, processo dividido
Escopo os treze modelos de card, a comparação, o contrato de dados e o redesenho do feed
Validação com a equipe do cliente, decisão por decisão
Plataforma mobile, e um painel na web
Ferramentas Figma, FigJam
Período agosto e setembro de 2026

Uma linha. Treze modelos de card em três formatos dão 39 combinações. Todas foram desenhadas, e nenhuma pediu uma medida nova: altura, largura, espaçamento e botão são os que o produto já tinha. A comparação não provou que o desenho era bonito, provou que a estrutura existente aguentava tudo o que o produto queria vender.


01 Resumo

Problema. O feed do TicTac precisava de dez modelos de card diferentes para cobrir os tipos de oferta e os dois ramos do produto. Dez modelos mantidos à mão é dívida garantida: cada um vira um componente próprio, e daí em diante toda correção é feita dez vezes.

O que eu fiz. Na primeira semana, a pesquisa, os treze modelos de card, uma comparação que os mede em números, e o contrato de dados de cada um: quais campos o sistema precisa entregar para o card existir. Em setembro voltei ao feed para mudar o tamanho do card e partir a leitura em dois modos.

Resultado. 39 combinações desenhadas sem uma medida nova. Onze dos treze modelos rodam com a foto que o lojista já tem, sem produção paga. Sete decisões fechadas com a equipe, e a entrega para engenharia com 40 componentes e 113 variantes.

A segunda frente. O feed só tem oferta se alguém produzir a oferta dentro da loja. Essa parte virou projeto próprio, e está no case do Creator, o aplicativo de quem produz a oferta.

Papel. Product design em dupla com o Renato Garcia. Pesquisa, comparação, os modelos e o contrato de dados saíram dos dois, e cada decisão de desenho foi discutida entre nós antes de ir para a equipe do cliente, que validou uma por uma.


02 Contexto

O TicTac é um feed de ofertas de loja física. Quem anuncia é o varejo e a indústria; quem compra é a pessoa que está perto da loja; e quem produz o conteúdo da oferta é o que o mercado chama de creator, a pessoa que fotografa e escreve sobre o produto na gôndola.

O dinheiro dessa cadeia tem nome: verba de mídia de varejo, que é o valor que a indústria paga para aparecer no canal onde a compra acontece. Foi o mercado que cresceu mais rápido no Brasil nos últimos três anos.

Isso importa para o card porque ele anuncia uma prateleira a alguns minutos de distância, e não uma entrega. No lugar de frete e prazo, o desenho carrega retirada, validade e estoque daquela loja, cada um como campo do sistema.


03 Restrição

O CPF Seguro, o produto da casa que protege contra fraude, roda dentro deste, embarcado com a marca da Directo. São dois cases que se encontram no mesmo aplicativo.

Uma semana para a primeira rodada. Pesquisa, dez modelos, comparação, decisão e validação. O prazo é a restrição que explica o método: sem tempo para iterar por opinião, a decisão tinha que sair de número.

O card não mora num app só. O feed é entregue como pacote dentro de centenas de aplicativos de clientes. Trocar o desenho do card é atualizar todos eles, então o que é regra de negócio não pode ficar congelado dentro do pacote. Essa restrição é técnica na origem e de produto na consequência: ela decide o que vira componente e o que continua sendo servido de fora.

Dois designers, o processo dividido. Eu e o Renato somos parceiros de desenho. Pesquisa, decisão e tela passaram pelos dois, e nenhuma decisão de produto aqui foi tomada sozinha. Quando a gente discordava, a régua era o dado, não quem tinha mais tempo de casa.

Dois ramos no mesmo feed. Compras e alimentação, com ações diferentes: em compras o usuário compra, em alimentação ele ativa uma oferta e retira na loja.

Feed que já existia. A tela de origem estava no ar. Não era desenho novo.


04 Exploração

A entrega foi um quadro de decisão, não um arquivo de telas

A entrega foi um quadro no Figma com dez seções em sequência vertical, feito para fechar as escolhas com o outro designer e com a equipe do cliente. Nenhuma tela final nele. A ordem das seções é o argumento:

00  capa
01  o sistema         tabela dos componentes que já existiam
02  os três formatos
03  os dez modelos
04  a comparação em números    <- é aqui que a decisão nasce
05  os tipos de retirada       os 4 passos do fluxo físico
06  a análise         fluidez, padronização, escalabilidade, robustez
                      e arquitetura, cada um com medida objetiva
                      E o que ainda é frágil
07  o contrato de dados
08  as sete decisões  cada uma com recomendação
09  anexo             a comparação desenhada peça por peça

Duas coisas nesse quadro são incomuns e valem o case inteiro:

A seção 06 declara o que ainda é frágil. Análise que só lista o que ficou bom é folheto. Nomear a fragilidade é o que permite a equipe decidir com o risco à vista.

A seção 07 é contrato de dados, não layout. Card sem contrato de dados é card que quebra na primeira oferta real. Definir o dado antes do pixel é o que fez quatro tipos de card cobrirem treze modelos.

A comparação, e por que ela não tem casa vazia

Treze modelos por três formatos dão 39 combinações. Todas desenhadas, nenhuma vazia, de propósito. A razão está escrita no quadro e é a melhor frase do projeto:

Casa vazia esconde formato, e quem lê conclui que o modelo não roda ali quando ele roda com outro recorte.

O que separa uma combinação da outra não é layout. É custo de foto: quanto o lojista precisa gastar para produzir a imagem que aquele card pede.

39 combinações desenhadas · treze modelos em três formatos, nenhuma vazia
11 rodam com a foto que a loja já tem · produto em fundo neutro, recomposto pelo sistema, sem produção paga
1 pede produção paga · o modelo de marca, bancado por verba da indústria
1 não tem foto nenhuma · o modelo de cupom, em que o valor ocupa o quadro da imagem
0 medidas novas · card, imagem, botão, prazo e o bloco pequeno de listagem, tudo idêntico
04 · A comparação dos treze modelos, como ela ficou no quadro

O que a comparação prova. Que a estrutura aguenta. Os mesmos campos, ou seja, cabeçalho, imagem, ícones, prova social, forma de pagamento, prazo de validade, botão e o motivo da oferta, carregam relógio de shopping, desconto por quantidade e preço por quilo sem crescer um pixel.

O que ela expõe. Que o formato de tela cheia é o mais caro. Cinco dos treze modelos têm cena fotografada de verdade; os outros oito rodam com produto em fundo neutro e rendem menos ali. O gargalo do formato não é layout, é produção de foto.

Essa última linha é o resultado do projeto. A pergunta chegou como "qual formato de card", e a comparação devolveu "o formato não é o seu problema, o custo da foto é".

Cupom, sem foto
Sacola surpresa
Quatro dos treze modelos. O de cupom não tem foto nenhuma: o valor ocupa o quadro da imagem. O de sacola surpresa vende com um campo só. A mesma estrutura carrega os dois.

O ramo de alimentação não inventou tela nova

A regra que fechou o escopo: alimentação copia o card de compras e troca o conteúdo. Nada de desenho novo para um ramo que tem a mesma estrutura de decisão.

05 Decisões

D1 · Nenhuma medida nova, e isso é a entrega

Treze modelos em três formatos, e card, imagem, botão, prazo e o bloco pequeno de listagem ficaram idênticos. A variação toda mora no conteúdo e no custo da foto.

Por quê: cada medida nova é um componente novo, e componente novo é custo permanente. Zero medida nova quer dizer que os treze modelos entram no sistema que já existe, sem dívida.

Abri mão de: liberdade de proporção. Nenhum modelo ganhou o tamanho que pedia; todos couberam no que existia.

D1b · O formato em coluna entra primeiro

Dos três formatos, o em coluna foi a recomendação de entrada.

Por quê: todo lojista tem a foto que ele pede. O de tela cheia fica por último, porque depende de cena fotografada, e cena fotografada é o gargalo.

D2 · Bloco de informação travado

Card de 390 × 490 com o bloco de informação travado em 130 pixels de altura.

Por quê: altura variável nesse bloco destrói o ritmo da lista. Travar a informação é o que permite o card variar na imagem sem quebrar o feed.

D3 · Declarar por nome mais que a cor

51 variáveis e 26 estilos na rodada em que a decisão foi tomada. Espaçamento, raio de canto, tipografia e sombra também passam a ser declarados por nome, não escritos como valor solto em cada tela.

Achado: os doze estilos antigos do arquivo nunca chegaram a ser aplicados. Existiam no arquivo e não existiam nas telas. Sistema declarado não é sistema adotado, e a diferença só aparece quando alguém mede.

D4 · A caixa do nome da loja deixa de ser fixa

Estava fixa em 75 pixels e centralizada. Vira flexível, nos dois ramos.

Por quê: é correção de robustez, não de estética. Nome de loja é dado de terceiro, e dado de terceiro não respeita a sua caixa.

D5 · Arrumar o arquivo antes de desenhar mais um modelo

Cor e tipografia estavam escritas como valor solto. A recomendação foi declarar tudo por nome agora, antes de desenhar mais nada.

Por quê: é trabalho de arquivo, não de desenho. Se entrar modelo novo antes, o custo de arrumar multiplica.

D6 · A sacola surpresa entra, com o risco declarado

Ela vende com um campo só, e por isso é a porta de entrada do ramo de alimentação. O risco também está escrito: o produto pode virar isso e mais nada.

Por quê: decisão com o risco à vista é decisão da equipe. Decisão com o risco escondido é decisão do designer fingindo que é da equipe.

11 · As sete decisões, cada uma com recomendação e riscoAs sete decisões, cada uma com a recomendação e o risco escritos ao lado. A entrega da primeira rodada foi este quadro, não um arquivo de telas: em uma semana não dava para iterar por opinião.

D7 · O tamanho do card é decisão de negócio, não de estética

O card encolheu para caber um card inteiro mais um pedaço do próximo. E o feed passou a ter dois modos: o contínuo, com o cabeçalho e o botão sempre fora da mídia, e o de tela cheia, um card por tela, com os botões sobre a mídia.

Por quê: card grande empurrava o cabeçalho e o botão de compra para fora da tela. Card menor mostra mais oferta por sessão, e oferta vista é a moeda do produto.

Abri mão de: mídia grande como padrão. Ela virou um modo, escolhido por quem está olhando, em vez de ser a única forma.

D8 · A palavra "feed" saiu da tela

A arquitetura tem um feed por aplicativo parceiro, e isso continua verdade por baixo. Na tela, essa palavra desapareceu: quem usa escolhe raio e lugar.

Por quê: feed é conceito de dentro do produto. Distância é conceito da vida de quem compra e de quem vende. A decisão saiu de uma conversa com o designer da Directo e é das poucas do projeto que mudou vocabulário em vez de layout.


06 Craft e sistema

  • Card de referência na proporção 3:4. Grade de 8 pixels. Escala de tamanhos com 12 degraus.
  • Cinco tipos de card no fim, com linha de etiquetas, botão de 40 pixels em preto e selo em três níveis.
  • O botão de referência foi definido antes dos modelos, não depois.
  • Ícone é desenho vetorial de verdade, não caractere de fonte. E componente do sistema usado de verdade, nunca cópia visual colada.
  • Página própria no Figma com tudo o que a engenharia precisa para construir.
Styles e tokens1600×1566A primeira página que a engenharia abre: 53 variáveis e 26 estilos de texto, todos por nome. Treze tokens de cor, nove degraus de espaço em base 4, sete raios. Valor solto não entra, e é isso que faz treze desenhos caberem em cinco tipos.
Os blocos1600×1966A camada onde o card é montado: dezessete blocos, cada um com a altura escrita, e a soma de três deles é a altura do card. Nenhum bloco desenha botão, selo ou linha à mão.
Os cards do mercado1600×608Cinco mecânicas que o varejo brasileiro já roda, passadas pela régua da casa: combo, encarte, desconto progressivo, brinde e sacola surpresa. Duas pediram bloco novo, três são regra de preenchimento em cima do que existia.
O gatilho · Oferta1600×1021O gatilho de venda escrito ao lado do card, informação por informação: por que o selo cresce com o desconto, por que o preço riscado existe, e por que o botão tem 160 pixels. É neste formato que cada desenho é entregue.
0104 · A comparação
0211 · As sete decisões
0312 · O anexo
FluxoA ordem em que o quadro se lê: a comparação produz as sete decisões, e as decisões produzem o anexo com os treze modelos desenhados peça por peça.
A entrega, em número1600×221O fechamento da entrega para engenharia, medido no arquivo e não estimado: 40 componentes, 113 variantes, 53 mais 1 variáveis, 27 estilos de texto, e nenhuma cor sólida solta.

07 Resultado

  • 39 combinações desenhadas, 0 medidas novas. Os treze modelos entram no sistema que já existe.
  • 11 dos 13 rodam sem produção paga de foto, com produto em fundo neutro recomposto pelo sistema.
  • O achado que reposicionou o primeiro problema: o gargalo não é layout, é produção de foto.
  • Sete decisões fechadas com a equipe na primeira rodada, cada uma com recomendação e com o risco declarado.
  • Dois modos de leitura no feed, o contínuo e o de tela cheia, com o card encolhido para caber um inteiro mais um pedaço do próximo.
  • Entrega para engenharia fechada em 40 componentes, 113 variantes, 53 mais 1 variáveis, 27 estilos de texto e nenhuma cor sólida solta.
  • A primeira rodada levou uma semana, do briefing à entrega para engenharia.

08 O que eu faria diferente

A comparação mede os modelos entre si, não contra uso real. Ela responde "qual modelo aguenta qual oferta" e não responde "qual modelo vende mais". Em uma semana não cabia instrumentar o feed, mas o número que faltou é esse.

A validação foi com a equipe do cliente, não com usuário. Sete decisões fechadas com quem conhece o negócio é bom para risco de produto e não substitui teste com quem compra. Está escrito assim no quadro de propósito.

O achado chegou tarde. A descoberta de que o gargalo é o custo da foto apareceu na análise, no fim da semana. Se tivesse aparecido no começo, o recorte do projeto teria sido outro: menos modelo de card, mais desenho de como a loja produz imagem.


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